sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Fugir,

Queria pegar todo o pouco dinheiro que tenho e sair, viajar ... ir para um lugar onde ninguém me conheça, ninguém saiba o que eu digo, nem o que aconteceu comigo.
Sem malas, pegaria o primeiro avião pra qualquer lugar e sumiria.
Ninguém viria atrás de mim, não se importariam. Eu ia fazer qualquer coisa, sem que me julgasse. Ninguém ia me dizer o que fazer, não me olhariam torto por semanas, ou ficariam sem olhar na minha cara. Afinal, ninguém me conheceria.
Quer saber? Nem quem me vê todos os dias me conhece de verdade. Só enxergam minha imagem distorcida pelos meus erros.
Mas num lugar distante, ninguém saberia do meu passado, dos meus erros, frustações e arrependimentos...
Eu iria a Itália pra conhecer toda a história do renascimento. Iria a Alemanha e Portugal, talvez encontrasse parentes lá. Depois andaria de bicicleta pelos jardins de Amsterdã, na Holanda e visitaria os museus de arte. Podia ir a Paris, a cidade da Luz. Dançar perto de um lago com um desconhecido ... ou com um conhecido.
Podia amar novamente naquela cidade mágica, por que não?
Amor, se essa palavra ainda existir ...
Talvez um dia eu voltasse pra casa, talvez não. Pra maioria não faria diferença.
Mas não posso fazer isso ... então me sinto perdida, sozinha, vazia.
Nem sei aonde é meu lugar, nem sei quem são as pessoas que me fazem bem. Nem sei como ofecer algo de bom para as pessoas ... mas eu vou me encontrar de novo, eu sei que vou.
O vazio? Ah, vai se tornar cheio de novo. O quebrado vai ser inteiro mais uma vez.
Beijinhos, I.

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